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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Contra o boicote a Israel

Victoria's Secrets é uma das empresas alvo da campanha
de BDS (Boycott, divestment and sactions)
Sou extremamente crítico da governação de Israel e a forma como lida com a questão palestiniana. O cerco a Gaza, a ocupação da Cisjordânia e o estado de apartheid que o os israelitas não judeus vivem em Israel são crimes contra a humanidade que deviam envergonhar todos os israelitas. Isso não faz dos seus inimigos uns santos nem dos seus vizinhos meras vítimas, mas cada um é culpado dos seus próprios pecados, e a conta de Israel não é pequena.

Dada a minha opinião sobre Israel e uma vez que vou publicando diferentes aspectos e detalhes desta nest blogue, recebo regularmente petições e emails para dar o meu apoio a um boicote económico a Israel. Isto significa penalizar as marcas que têm fábricas em Israel ou que têm lá as suas origens. Nos habituais alvos a abater estão a Victoria's Secrets, a Hewlett Packard[1], Motorola[2].


Tirando o fim das ajudas militares, sou absolutamente contra o isolamento comercial de Israel. Tenho a certeza que isso só tornaria o problema muito pior. Sou aliás, regra geral, contra esse tipo de sanções económicas.

Olhemos para outros países que sofreram embargos nas últimas décadas e veremos que todos sofreram imensamente, mas nenhum se tornou militarmente mais fraco, menos violento com a sua população ou mais cumpridor dos direitos humanos. Regra geral, uniram-se à volta dos seus líderes e aumentaram os seus níveis de ódio pelos estrangeiros que tantos danos causaram ao país. Os civis desses países sofrem, mas as suas elites e regimes não. Um tipo de pena colectiva que causa danos em todos menos naqueles que seriam eventualmente os alvos legítimos.
Cuba... hoje!

Em Cuba, meio século de embargo americano não ajudou o regime a cair. O país é pobre, mas aprendeu a não depender do exterior, em especial depois da queda da União Soviética. Julgou-se que nessa altura não haveria futuro para Cuba, mas 25 anos depois o regime não caiu.

Na Coreia do Norte - o mais opressivo de todos os regimes à face da terra - um isolamento quase total a qualquer influência exterior tornou o país paupérrimo mas com um exército monstruoso e aparentemente bem treinado e fanático. A sua tecnologia nuclear e de mísseis é real e um perigo para a humanidade. Em tudo o resto, é pior do que a maioria dos países do terceiro mundo. Mais uma vez, um povo em sofrimento com uma elite e um poder militar capazes de causar terror na região.


Teerão (Irão)
No Irão, 35 anos de sanções e isolamento tornaram uma economia totalmente dependente do petróleo numa economia altamente diversificada. Mesmo quando invadidos pelo Iraque de Saddam Hussein numa das mais violentas guerras que o Médio Oriente já vira e onde o Iraque era apoiado pelas Monarquias do Golfo e pelo Ocidente, o regime não tremeu.

No Iraque, entre 1990 e 2003, o embargo comercial (que incluia produtos médicos e farmaceuticos) foi de tal forma violento que a UNICEF estima que meio milhão de crianças com menos de 5 anos terão morrido à conta deste. O regime, mesmo depois de perder duas guerras e de um quase total isolamento não caiu até à invasão americana de 2003.

Em todos os casos, a população sofreu, mas por si só as sanções económicas e o isolamento não alteraram o rumo político. Pelo menos para melhor. Se hoje em dia quer Israel quer a Palestina estão verdadeiramente preocupados com o que pensa a opinião pública mundial é precisamente porque ambos estão bastante dependentes dela. O isolamento só beneficiará os fanáticos de ambos os lados.

Estou aliás convencido que este problema israelo-palestiniano só se resolve quando tivermos uma combinação de dois factores: (1) absoluta dependência económica de ambos aos EUA e (2) um Presidente americano que os force a chegarem a um compromisso debaixo da ameaça directa de retenção dos fundos. Nessa altura, cada vez que um F-16 israelita atacar Gaza, os fundos ficam retidos mais um mês ou dois. Cada vez que o Hamas lançar um rocket, o dinheiro essencial para pagar os seus funcionários públicos não chega a tempo. Claro que não será fácil para um Presidente conseguir isso e manter a coragem para a fazer cumprir, mas não vejo outra solução.