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| Victoria's Secrets é uma das empresas alvo da campanha de BDS (Boycott, divestment and sactions) |
Dada a minha opinião sobre Israel e uma vez que vou publicando diferentes aspectos e detalhes desta nest blogue, recebo regularmente petições e emails para dar o meu apoio a um boicote económico a Israel. Isto significa penalizar as marcas que têm fábricas em Israel ou que têm lá as suas origens. Nos habituais alvos a abater estão a Victoria's Secrets, a Hewlett Packard[1], Motorola[2].
Tirando o fim das ajudas militares, sou absolutamente contra o isolamento comercial de Israel. Tenho a certeza que isso só tornaria o problema muito pior. Sou aliás, regra geral, contra esse tipo de sanções económicas.
Olhemos para outros países que sofreram embargos nas últimas décadas e veremos que todos sofreram imensamente, mas nenhum se tornou militarmente mais fraco, menos violento com a sua população ou mais cumpridor dos direitos humanos. Regra geral, uniram-se à volta dos seus líderes e aumentaram os seus níveis de ódio pelos estrangeiros que tantos danos causaram ao país. Os civis desses países sofrem, mas as suas elites e regimes não. Um tipo de pena colectiva que causa danos em todos menos naqueles que seriam eventualmente os alvos legítimos.
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| Cuba... hoje! |
Em Cuba, meio século de embargo americano não ajudou o regime a cair. O país é pobre, mas aprendeu a não depender do exterior, em especial depois da queda da União Soviética. Julgou-se que nessa altura não haveria futuro para Cuba, mas 25 anos depois o regime não caiu.
Na Coreia do Norte - o mais opressivo de todos os regimes à face da terra - um isolamento quase total a qualquer influência exterior tornou o país paupérrimo mas com um exército monstruoso e aparentemente bem treinado e fanático. A sua tecnologia nuclear e de mísseis é real e um perigo para a humanidade. Em tudo o resto, é pior do que a maioria dos países do terceiro mundo. Mais uma vez, um povo em sofrimento com uma elite e um poder militar capazes de causar terror na região.
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| Teerão (Irão) |
No Iraque, entre 1990 e 2003, o embargo comercial (que incluia produtos médicos e farmaceuticos) foi de tal forma violento que a UNICEF estima que meio milhão de crianças com menos de 5 anos terão morrido à conta deste. O regime, mesmo depois de perder duas guerras e de um quase total isolamento não caiu até à invasão americana de 2003.
Em todos os casos, a população sofreu, mas por si só as sanções económicas e o isolamento não alteraram o rumo político. Pelo menos para melhor. Se hoje em dia quer Israel quer a Palestina estão verdadeiramente preocupados com o que pensa a opinião pública mundial é precisamente porque ambos estão bastante dependentes dela. O isolamento só beneficiará os fanáticos de ambos os lados.
Estou aliás convencido que este problema israelo-palestiniano só se resolve quando tivermos uma combinação de dois factores: (1) absoluta dependência económica de ambos aos EUA e (2) um Presidente americano que os force a chegarem a um compromisso debaixo da ameaça directa de retenção dos fundos. Nessa altura, cada vez que um F-16 israelita atacar Gaza, os fundos ficam retidos mais um mês ou dois. Cada vez que o Hamas lançar um rocket, o dinheiro essencial para pagar os seus funcionários públicos não chega a tempo. Claro que não será fácil para um Presidente conseguir isso e manter a coragem para a fazer cumprir, mas não vejo outra solução.


