Um documentário já com 7 anos, "The Oil Factor: Behind the War on Terror" mostra como as guerras do Afeganistão e Iraque têm muito poucas relações com o 11 de Setembro, armas de destruição massiva ou direitos humanos.
Agora que a coligação aliada já retirou do Iraque e se prepara para deixar o Afeganistão, que Saddam Hussein e Bin Laden estão mortos e que os regimes Taliban e Baath Iraquiano desapareceram talvez seja a altura de rever o que foi dito entre 2001 e 2004.
O documentário tem cerca de 90 minutos e foi realizado por Audrey Brohy e Gerard Ungerman. Para mais algumas informações sobre o documentário no Wikipedia e IMDB ficam aqui os links:
A crise em que a europa está envolvida, já com a Grécia, Irlanda e Portugal em situação de apoio financeiro enquanto a Itália e Espanha estão perto disso tem obrigado a medidas de curto prazo duríssimas para os seus cidadãos de forma a controlar a espiral de déficit público destes países.
São muitas as explicações para esta crise, com raízes na crise de subprime americana, seguidas pela crise financeira resultante e finalmente pela crise orçamental provocada pelos gastos estatais feitos na tentative de controlar as crises anteriores. A próxima crise é naturalmente a crise de investimento causada quer pela austeridade orçamental quer pela crise de confiança dos consumidores e investidores.
E acabei de usar oito vezes a palavra "crise" para conseguir descrever a dita-cuja em que nos encontramos...
Sou um crítico violento do prémio Nobel da economia Paul Krugman. Gosto das análises que faz mas discordo das soluções que apresenta. Foi ele mesmo, com o poder que só um "óscar" da economia tem, e suportado por uma onda global de novos keynesianos, que deu a base científica para os déficit orçamentais incontrolados em que nos encontramos. Agora visita Portugal e diz-nos que "não faria diferente do que o governo português está a fazer" e que os salários portugueses teria que ser cortados ainda mais em relação aos da Alemanha. Escrevi sobre as suas visões um mês antes dessa vinda a Portugal:
Nesse mesmo dia, Krugman tem um artigo no New York Times que faz uma análise bastante interessante sobre o problema da Europa e as dificuldades em que esta tenha um comportamento semelhante aos EUA. Deixo aqui o link e uma cópia de um parágrafo que vai de encontro ao meu tema de hoje:
"What does this have to do with the case for or against the euro? Well, when the single European currency was first proposed, an obvious question was whether it would work as well as the dollar does here in America. And the answer, clearly, was no — for exactly the reasons the Ireland-Nevada comparison illustrates. Europe isn’t fiscally integrated: German taxpayers don’t automatically pick up part of the tab for Greek pensions or Irish bank bailouts. And while Europeans have the legal right to move freely in search of jobs, in practice imperfect cultural integration — above all, the lack of a common language — makes workers less geographically mobile than their American counterparts.
And now you see why many American (and some British) economists have always been skeptical about the euro project. U.S.-based economists had long emphasized the importance of certain preconditions for currency union — most famously, Robert Mundell of Columbia stressed the importance of labor mobility, while Peter Kenen, my colleague at Princeton, emphasized the importance of fiscal integration. America, we know, has a currency union that works, and we know why it works: because it coincides with a nation — a nation with a big central government, a common language and a shared culture. Europe has none of these things, which from the beginning made the prospects of a single currency dubious."
Acho particularmente interessante porque, na minha opinião, pega precisamente em alguns dos assuntos que eu gostaria de ver discutidos no parlamento europeu e depois sufragados pelos Europeus.
Acredito na criação de uns Estados Unidos da Europa, aliás, não vejo outra solução para a Europa senão essa. Já fizemos muito até agora mas espero que consigamos dar o passo em frente. Mesmo com todas as dificuldades que hoje passamos, devemos lembrar-nos de a europa é o mais democrático de todos os continentes, onde os cidadãos têm o direito de processar os estados, onde os líderes políticos não ficam nos seus lugares para sempre, onde as liberdades religiosa, política e de imprensa são maiores e a UE o maior garante de uma paz duradoura neste campo de batalha das duas maiores guerras alguma vez vistas pela humanidade.
São vários os pontos que a Europa tem que discutir, para além das crises de curto prazo:
- A criação de um verdadeiro governo central, onde todos os estados (e não só a Grécia) abdicam de uma parte da sua soberania.
- Definição do que são os problemas comuns e os problemas de cada um dos estados de forma a que possam ser separadas as responsabilidades (por exemplo, as questões aduaneiras, e de polícia federal, de defesa e de negócios estrangeiros seriam no meu entender centralizadas).
- Funções do Banco Central Europeu, passando não só de protector da inflação baixa para emprestador de último recurso e financiador do governo europeu.
- Língua (e Cultura e Mobilidade Laboral) devia também ser discutida. Sei que é um ponto sensível porque a europa tem quase tantas línguas como países, mas deveria existir uma língua europeia para além das línguas nacionais. Inglês, Françês, Esperanto ou outra qualquer. Uma que fosse ensinada em todos os países desde os 5 anos e que em vinte anos toda a Europa consegui tratar os seus negócios nessa língua. Os romanos conseguiram colocar toda o seu império a falar latim, uma língua incrivelmente complexa sem sequer existir ensino básico. Porque motivo seria tão difícil fazermos o mesmo?
Embora com escassas hipóteses de ganhar, uma solução destas deve ser claramente feita com o apoio do povo e não nas suas costas. Ou por referendo directo ou dando tempo suficiente para que estas questões estejam explicitamente definidas nos planos de governo de todas as eleições nacionais durante um período de 4 a 6 anos.
Existem ainda outras opções, mas eu vejo-lhes defeitos muito mais graves: ficar como está, ou voltar para trás (aos estados nação). Não consigo imaginar como é conseguimos sobreviver a longo prazo se a Europa estiver partida em dezenas de estados de 10 a 40 milhões de habitantes enquanto os outros blocos nos fazem frente com 200 a 1500 milhões. Seja em ataques monetários, económicos, políticos ou mesmo financeiros se nada mudar (ou pior ainda se voltar para trás) não seremos mais do que campo de batalha para os restantes.
Tenho tido alguma dificuldade em escrever sobre o que se está a passar na Síria. Claramente o governo de Al Assad Junior está envolvido numa perseguição violentíssima aos revoltosos, sem dó nem piedade e mostrando todos os tiques de ditador brutal tão comuns pelo médio oriente. A oposição, que inicialmente imitava em estilo a revolução egípcia e tunisina entrou numa metamorfose e é hoje uma facção militar (ou muitas, não é totalmente claro) e em que alguns relatórios mostram que está a cometer crimes muito semelhantes aos do tal ditador.
O regime Baath da Síria representa uma espécie de ditadura monárquica disfarçada de república, liderada por um todo poderoso líder sem o mais pequeno carisma. Ainda parece ter o apoio de uma parte relevante da população, mas como não tem a coragem de fazer eleições livres nem ele saberá nunca quantos sírios estão ao seu lado.
Novas imagens de tortura e guerra civil vão chegando aos media mundiais fruto das novas tecnologias e do fenómeno dos repórteres-cidadãos. Estes videos ultrapassam em violência e crueldade tudo aquilo que nos habituámos a ver na televisão durante décadas (não porque o fenómeno não existisse, mas pelos códigos das televisões que editam as imagens de forma a que possam ser mostradas a um público familiar).
Resumindo, Assad e o seu regime são hoje monstros que sobrevivem apenas devido aos medos: medo das alternativas, medo da sua polícia secreta e medo de uma guerra civil.
O que fazer então? Mais pressão diplomática e económica? Dar armas à resistência? Intervir militarmente de forma limitada (ar e mar)? Ocupação geral do país? Deixar que qualquer intervenção seja feita apenas pela liga árabe? Cortar a cabeça da serpente (leia-se operação do tipo Abbottabad)? O conselho de segurança das Nações Unidas, conseguiu mais uma vez falhar uma decisão sobre o assunto. Ocidente de um lado, Rússia e China do outro. Por vezes parece que nada mudou desde os anos 50...
Sei que voltarei a este assunto novamente, mas para já deixo-vos com um texto que a ONG Avaaz me enviou esta tarde e que me tocou profundamente:
Dear friends,
Powered by millions of online actions and donations from 75,000 of us, our community is playing a central role in supporting the Syrian people as they persist in peaceful protest against all odds. Together, we're empowering citizen journalism, smuggling in medical supplies and western journalists, and much more. We're making a difference, but the staggering bravery of the Syrian people is their gift to the rest of us. Read this email for the full story, or look at this recent media coverage of Avaaz's work on Syria: BBC, CNN, El Pais, TIME, The Guardian, Der Spiegel, AFP.
This morning, 4 western journalists are home safe with their families, the echoes of the horror and heroism of Baba Amr still ringing in their ears. Over 50 Syrian activists, supported by Avaaz, volunteered to rescue them and scores of wounded civilians from the Syrian army’s killzone. Many of those incredible activists have not survived the week.
Abu Hanin is one of the heroes. He’s 26, a poet, and when his community needed him, he took the lead in organizing the citizen journalists that Avaaz has supported to help the voices of Syrians reach the world. The last contact with Abu Hanin was on Thursday, as regime troops closed in on his location. He read his last will and testament to the Avaaz team in Beirut, and told us where he had buried the bodies of the two western journalists killed in the shelling. Since then, his neighborhood of Baba Amr has been a black hole, and we still don’t know his fate.
It’s easy to despair when seeing Syria today, but to honour the dead, we must carry forward the hope they died with. As Baba Amr went dark and fears of massacre spread, Syrians took to the streets -- yet again -- across the country, in a peaceful protest that showed staggering bravery.
Their bravery is our lesson, the gift of the Syrian people to the rest of us. Because in their spirit, in their courage to face the worst darkness our world has to offer, a new world is being born.
And in that new world, the Syrian people are not alone. Millions of us from every nation have stood with them time and time again, right from the beginning of their struggle. Nearly 75,000 of us have donated almost $3 million to fund people-powered movements and deliver high-tech communications equipment to help them tell their story, and enable the Avaaz team to help smuggle in over $2 million worth of medical supplies. We’ve taken millions of online actions to push for action from the Security Council and the Arab League and for sanctions from many countries, and delivered those online campaigns in dozens of stunts, media campaigns and high-level advocacy meetings with top world leaders. Together we’ve helped win many of these battles, including for unprecedented action by the Arab League, and oil sanctions from Europe.
Our team in Beirut has also provided a valuable communications hub for brave and skilled activists to coordinate complex smuggling operations and the rescue of the wounded and the journalists. Avaaz does not direct these activities, but we facilitate, support and advise. We have also established safe houses for activists, and supported the outreach and diplomatic engagement of the Syrian National Council -- the opposition movement’s fledgling political representative body. Much of the world's major media have covered Avaaz’s work to help the Syrian people, including features on BBC, CNN, El Pais, TIME, The Guardian, Der Spiegel, AFP and many more, citing our "central role" in the Syrian peaceful protest movement.
Today, a dozen more nightmares like that visited on the city of Homs are unfolding across Syria. The situation will get worse before it gets better. It will be bloody, and complicated, and as some protesters take up arms to defend themselves, the line between right and wrong will blur. But President Assad’s brutal regime will fall, and there will be peace, and elections, and accountability. The Syrian people simply will not stop until that happens -- and it may happen sooner than we all think.
Every expert told us at the beginning that an uprising in Syria was unthinkable. But we sent in satellite communications equipment anyway. Because our community knows something that the experts and cynics don’t -- that people power and a new spirit of citizenship are sweeping our world today, and they are fearless, and unstoppable, and will bring hope to the darkest places. Marie Colvin, an American journalist covering the violence in Homs, told Avaaz before she died, "I’m not leaving these people." And neither will we.
With hope, and admiration for the Syrian people and courageous citizens everywhere,
Ricken, Wissam, Stephanie, Alice, David, Antonia, Will, Sam, Emma, Wen-Hua, Veronique and the whole Avaaz team
P.S. If you want to do more, click here to help keep our lifeline of hope into Syria open: