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| Filme "O Ditador" com Sacha Baron Cohen |
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Que Ditador Árabe Sou Eu?
Um bocadinho diferente dos meus posts habituais... mas espero que gostem.
Com a chegada da Primavera Árabe apercebemos-nos de como os diferentes ditadores do Médio Oriente reagiram perante a pressão pública, os media internacionais, as grandes potências do mundo e a religião. Todos tiveram comportamentos diferentes, e os resultados - para os próprios e para os seus povos - também não são iguais...
sábado, 6 de abril de 2013
Merkel nua, e daí?
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| Angela Merkel nua? |
Pergunto-me: porque motivo a reputação de uma pessoa pode ser posta em causa por fazer nudismo? Ou por o ter feito há trinta anos? As sua políticas para a Alemanha e para a Europa serão melhores ou piores por causa disto? No lugar onde cometeu este acto o naturismo era proibido? Cometeu algum crime?
Os europeus têm, em geral, uma cultura menos puritana do que os americanos. Procuramos separar os contextos pessoais dos profissionais um pouco mais do que os nossos vizinhos do outro lado do Atlântico. A título de exemplo, vimos Bill Clinton a ser perseguido pelo seu envolvimento sexual com Monica Lewinsky. Durante meses, o país congelou na expectativa do desfecho político (que esteve à beira do impeachment[2]) com todas as políticas internas e externas a ficarem dependentes disto. A maioria das pessoas na europa, segundo me pareceu na altura, não conseguiam compreender como um problema que deveria ser resolvido entre três pessoas (Bill, Hilary e Monica) era discutido por centenas de milhões. Como um assunto pessoal chegou ao ponto de quererem destituir o presidente.
Mais recentemente, Tiger Woods veio à televisão pedir desculpas pelas relações que teve fora do casamento e prometeu aos milhões de telespectadores que iria iniciar uma cura de desintoxicação ou algo do mesmo género para quem sofre de o-que-quer-que-aquilo-seja. Da minha parte perdoei-lhe logo na altura. Aliás, não sei muito bem porque motivo ele me pediu desculpa porque eu só admirava enquanto jogador de golfe. Nunca me passou pela cabeça que tivesse que o imitar enquanto pai ou marido.
Entretanto, também a então Primeira Dama francesa Carla Bruni, se viu no topo de um suposto escândalo por uma fotografia sua nua, do tempo em que era modelo ter sido leiloada. Felizmente a situação não parece ter causado demasiado incómodo ao casal.
Não compreendo que uma pessoa, só por ser uma figura pública, tenha que ser um santo ou um modelo em todos os aspectos da sua vida. São seres humanos como todos os outros e têm virtudes e defeitos como qualquer um de nós.
Neste caso de Merkel, o que ela fez não é crime e não é sequer moralmente errado. Isto, assumindo que de facto é ela que está na fotografia. O que ela vale enquanto Chanceler da Alemanha e enquanto líder de facto da União Europeia não é nem deve ser minimamente afectado por isto. E por último, as suas qualidades físicas são irrelevantes para o facto. O nudismo não é um exclusivo de modelos nem de jovens. É um direito aceite na Alemanha e em muitos outros países da europa ocidental. E é um direito para todos, sejam eles novos, velhos, gordos ou magros, conhecidos ou anónimos.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Kalashnikov
Book Review
O sucesso da espingarda de assalto AK-47 é, para mim, um tema fascinante. Já tinha escrito sobre esta arma em Abril do ano passado, onde cobri as vezes que me cruzei com esta em diferentes países, como a Palestina, o Sahara Ocidental, Marrocos, entre outros[1]. No entanto, nunca me tinha interessado particularmente sobre o seu criador, Mikhail Kalashnikov[2]. Mas as feiras do livro têm destas coisas e quando vi um livro potencialmente interessante ao preço de um menu do McDonalds resolvi imediatamente sacrificar o almoço. E não me arrependi.
A personalidade de Kalashnikov é absolutamente surpreendente. Ainda está vivo, no topo dos seus 93 anos. Comunista convicto, defende Stalin como provavelmente não veremos hoje ninguém o fazer. Mesmo os mais ultra ortodoxos dos comunistas - como Álvaro Cunhal - tinham dificuldades em apoiar uma personagem como Stalin, mas não Kalashnikov. No entanto, foi esse mesmo regime, que lançou toda a sua família para os gulags sob acusão de serem kulaks (proprietários abastados que foram perseguidos pelo regime nos anos 30) quando ainda tinha 11 anos. Fugiu diversas vezes dos gulags e viveu toda a vida com papeis falsificados escondendo a sua infância. Só depois da queda da URSS essa parte da sua vida pode ser contada. Até hoje, Kalashnikov acredita que Stalin não era culpado dos genocídios feitos nessa época, mas sim as autoridades locais.
Algumas das suas histórias, fizeram-me imediatamente lembrar os criadores do Ekranoplano, de quem escrevi um artigo no ano passado. Também estes engenheiros militares viram a sua importância e reconhecimento mudarem ao sabor dos líderes políticos. Kalashnikov é um produto do conservadorismo soviético mais extremo. E certamente o homem certo para Stalin, como mais tarde foi para Brejnev. Estes eram adeptos dos enormes exércitos e das armas convencionais. A AK-47, tal como muitas outras armas criadas por Kalashnikov, eram as armas perfeitas para estes exércitos quer se tratassem de tropas em esquis na Sibéria ou em cima de camelos no deserto. Krushev, por outro lado era um adepto das novas tecnologias. Apostou muito mais nas armas atómicas, assim como em ideias novas (como o Ekranoplano). E todos eles, depois da queda da URSS, viram os seus últimos anos de vida passados com miseráveis pensões estatais. Este livro escrito em 2003 fala da pensão de Kalashnikov (agora general) rondar os 500 euros mensais.
Algo muito curioso que podemos ver no livro é a comparação entre dois criadores de armas, um na União Soviética e outro nos Estados Unidos. Numa URSS colectivista e comunista, a arma ficou com o nome do seu criador, Kalashnikov, tal como outras armas como a Dragunov[3] ou os aviões Mig[4]. Nos Estados Unidos da América, uma sociedade capitalista e individualista, o nome de Eugene Stoner[5] não ficou na espingarda de assalto, utilizando-se simplesmente a designação de M16[6]. No entanto, Eugene tinha um avião, um helicóptero e era imensamente rico porque recebia por cada M16 que era produzida. Mas não tinha qualquer condecoração do estado americano e é virtualmente desconhecido do povo americano. Por seu lado, Kalashnikov fora promovido até general, detinha todas as condecorações possíveis e imaginárias da União Soviética e da Federação Russa e é gravou o seu nome na história do mundo.
[Foto: http://www.myspace.com/m_t_kalashnikov/photos/4905979]
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| Mikhail Kalashnikov |
O sucesso da espingarda de assalto AK-47 é, para mim, um tema fascinante. Já tinha escrito sobre esta arma em Abril do ano passado, onde cobri as vezes que me cruzei com esta em diferentes países, como a Palestina, o Sahara Ocidental, Marrocos, entre outros[1]. No entanto, nunca me tinha interessado particularmente sobre o seu criador, Mikhail Kalashnikov[2]. Mas as feiras do livro têm destas coisas e quando vi um livro potencialmente interessante ao preço de um menu do McDonalds resolvi imediatamente sacrificar o almoço. E não me arrependi.
A personalidade de Kalashnikov é absolutamente surpreendente. Ainda está vivo, no topo dos seus 93 anos. Comunista convicto, defende Stalin como provavelmente não veremos hoje ninguém o fazer. Mesmo os mais ultra ortodoxos dos comunistas - como Álvaro Cunhal - tinham dificuldades em apoiar uma personagem como Stalin, mas não Kalashnikov. No entanto, foi esse mesmo regime, que lançou toda a sua família para os gulags sob acusão de serem kulaks (proprietários abastados que foram perseguidos pelo regime nos anos 30) quando ainda tinha 11 anos. Fugiu diversas vezes dos gulags e viveu toda a vida com papeis falsificados escondendo a sua infância. Só depois da queda da URSS essa parte da sua vida pode ser contada. Até hoje, Kalashnikov acredita que Stalin não era culpado dos genocídios feitos nessa época, mas sim as autoridades locais.
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| Mikhail Kalashnikov com Elena Joly, autobiografia do inventor da mais famosa metralhadora do mundo |
Algumas das suas histórias, fizeram-me imediatamente lembrar os criadores do Ekranoplano, de quem escrevi um artigo no ano passado. Também estes engenheiros militares viram a sua importância e reconhecimento mudarem ao sabor dos líderes políticos. Kalashnikov é um produto do conservadorismo soviético mais extremo. E certamente o homem certo para Stalin, como mais tarde foi para Brejnev. Estes eram adeptos dos enormes exércitos e das armas convencionais. A AK-47, tal como muitas outras armas criadas por Kalashnikov, eram as armas perfeitas para estes exércitos quer se tratassem de tropas em esquis na Sibéria ou em cima de camelos no deserto. Krushev, por outro lado era um adepto das novas tecnologias. Apostou muito mais nas armas atómicas, assim como em ideias novas (como o Ekranoplano). E todos eles, depois da queda da URSS, viram os seus últimos anos de vida passados com miseráveis pensões estatais. Este livro escrito em 2003 fala da pensão de Kalashnikov (agora general) rondar os 500 euros mensais.
Algo muito curioso que podemos ver no livro é a comparação entre dois criadores de armas, um na União Soviética e outro nos Estados Unidos. Numa URSS colectivista e comunista, a arma ficou com o nome do seu criador, Kalashnikov, tal como outras armas como a Dragunov[3] ou os aviões Mig[4]. Nos Estados Unidos da América, uma sociedade capitalista e individualista, o nome de Eugene Stoner[5] não ficou na espingarda de assalto, utilizando-se simplesmente a designação de M16[6]. No entanto, Eugene tinha um avião, um helicóptero e era imensamente rico porque recebia por cada M16 que era produzida. Mas não tinha qualquer condecoração do estado americano e é virtualmente desconhecido do povo americano. Por seu lado, Kalashnikov fora promovido até general, detinha todas as condecorações possíveis e imaginárias da União Soviética e da Federação Russa e é gravou o seu nome na história do mundo.
[Foto: http://www.myspace.com/m_t_kalashnikov/photos/4905979]
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