Mostrar mensagens com a etiqueta Gaza. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gaza. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Porque o Hamas faria pior...

Nesta guerra de Gaza, voltamos a assistir aos habituais discursos e propaganda pró-Palestina e pró-Israel. Colocando de lado as típicas e trogloditas manipulações islamofóbicas e anti-semitas, encontramos um conjunto de argumentos de variada qualidade.

Um argumento utilizado pelos que defendem Israel (genericamente, a direita Europeia, a comunidade judaica mundial e grande parte dos Estados Unidos) é o de que a o ataque israelita é justo porque o Hamas faria pior se pudesse. Vou-me centrar hoje neste argumento específico.

A ideia é interessante, e parece ter algum impacto junto dos leitores. Ajuda a construir a ideia do "bem vs mal" colocando Israel do "nosso" lado e como alguém que pratica o mal apenas como último recurso, onde as vítimas civis são colaterais e que é obrigado a utilizar fogo para combater fogo.
Medina de Fez, Marrocos, onde uma vibrante comunidade
judaica residiu durante séculos

Miguel Esteves Cardoso, no Público[1], afirmava que "Mas se fosse ao contrário acham que o Hamas não usaria os foguetes mais assassinos para atacar Israel? Acham que o Hamas alguma vez os usaria só para contra-atacar, depois de um ataque israelita?". No Observador[2], Rui Ramos avisa que "A grande questão é saber quanto tempo pode um Estado democrático e de direito, como Israel, sobreviver a uma guerra sem fim. Por enquanto, tem os meios materiais necessários. Mas até quando? É que se um dia lhe faltarem, não teremos muito tempo para lastimar Israel." No Brasil, o vereador Valter Nagelstein[3], num discurso emotivo segue a mesma ideia "as cidades [de Israel] só não foram destruídas [pelos rockets do Hamas] porque Israel é uma nação desenvolvida". Ou seja... se Israel um dia não tiver um poder absolutamente demolidor sobre o seu vizinho, só podemos esperar um genocídio. Um novo Holocausto. 

Curiosamente, não é isso que a história nos diz. Nem o passado recente. Nem o presente. Durante mil e quatrocentos anos, enquanto a Europa ia vivendo sucessivas ondas de anti-semitismo, os países árabes e muçulmanos protegeram sempre esta minoria. Até 1948, milhões de judeus viviam perfeitamente integrados desde Marrocos[4] até ao Irão e Turquia. Desde o início, quando os reinos cristãos na península Ibérica foram formados, os judeus fugiram junto com os muçulmanos, sabendo o que os esperava. Em muitos casos, lutaram ao lado dos muçulmanos para defenderem as suas terras. Durante as cruzadas, os fundamentalistas cristãos atacaram e destruíram comunidades judaicas no sudeste europeu[5] e foram combatidos pelos judeus de Haifa (actual Israel) que conseguiram aguentar durante um mês o cerco de 1099. No mesmo ano, Jerusalém cai com os defensores muçulmanos e judeus a serem chacinados por igual[6]. Foi entre os muçulmanos e não entre os cristãos que durante muitos séculos os judeus se sentiram seguros.
1099 Conquista de Jerusalém pelos cruzados liderados por Geoffrey de Boullion. Judeus e muçulmanos foram massacrados de forma semelhante. Durante 90 anos (até à reconquista de Saladino em 1189),
não era permitida a entrada ou residência a judeus na cidade.

O fundamentalismo do Hamas não é a causa da violência de Israel. É, pelo contrário, o seu resultado.
Jovem palestiniano enfrenta um tanque israelita
com uma pedra durante a Primeira Intifada

O Hamas foi fundado apenas em 1987, isto é, quase 40 anos depois da criação do estado de Israel, durante a primeira intifada, o primeiro grande levantamento palestiniano onde milhares de jovens se lançaram contra as tropas de ocupação israelitas munidas apenas de pedras. Foi o falhanço de todas as outras formas de lidar com o ocupante que provocou o aparecimento de uma nova via, a do fundamentalismo islâmico. Até então, os palestinianos aceitaram a ocupação relativamente bem sem criar demasiada desordem, se tivermos em conta as limitações que já então tinham. Quando perceberam que nunca seriam cidadãos de um estado comum, que não teriam direito de voto, que não seriam incorporados na Jordânia ou no Egipto e que pouca ou nenhuma esperança tinham para o futuro, os palestinianos sairam à rua. A resposta israelita foi o que ficou conhecido por "might, power and beatings" ("força, poder e espancamentos"), um termo cunhado pelo então ministro da Defesa israelita, Yitzhak Rabin[7], que mais tarde receberia o Prémio Nobel da Paz juntamente com Yasser Arafat e que viria a ser assassinado em 1995 por um elemento da extrema direita, opositor do processo de paz). É essa política inicial de violência total sobre os manifestantes que cria e alimenta o Hamas nos seus primeiros anos tornando-o rapidamente num pretendente ao trono dos destinos da Palestina. De nada valeram as palavras horrorizadas dos judeus americanos, como noticiou o New York Times em Janeiro de 1988[8]. Esse grupo de académicos de Princeton, Harvard, entre outros escrevia então "Lemos com vergonha relatórios de espancamentos porta-a-porta de centenas de pessoas, partindo ossos e levando à hospitalização de idosos e crianças". Acrescentam depois, com acertada premonição, que esses actos "reforçam a mão aos árabes extremistas que, à semelhança dos judeus extremistas, rejeitam negociações e sonham com uma 'guerra santa'". Israel iniciara uma nova fase da sua ocupação. O Hamas iniciara uma nova fase na resistência palestiniana. 

Sobre os acontecimentos de Gaza dos últimos anos (e já vamos na terceira guerra em apenas 6 anos), já aqui falei diversas vezes. Em cada uma delas, os factos mostram-nos que Israel faz - de facto - pior. Mata mais. Indiscriminadamente. E isso são factos, não intenções nem invenções da casa de quem comenta de Lisboa ou Rio de Janeiro. O Hamas ganha força a cada guerra que perde. Israel acumula vitórias pírricas. Cada invasão israelita comprova o que tantos palestinianos acreditam: que Israel nunca lhes permitirá viver em paz e segurança. E que os sonhos de uma grande Israel (Heretz Israel, numa área muitas vezes superior ao actual território de Israel somado ao da Palestina) estão ainda vivos.
2014 Gaza. Dispensa comentários.

Garantem-nos que o que Israel faz é pouco e que "o Hamas faria pior". A verdade é que não sabemos. O que os factos nos mostram é que, consistentemente, Israel fez pior. Que na história não foram os muçulmanos que perseguiram os judeus, aliás, precisamente o contrário: protegeram-nos. Que o Hamas e a sua ideologia fanática é o resultado directo das acções violentas de Israel e não a sua causa e, finalmente, que cada nova guerra torna o Hamas mais forte e os seus rivais moderados da Fatah mais fracos.

Tudo o que acabou de ler é do conhecimento comum de qualquer israelita. Mais de 90% dos judeus israelitas apoiam a guerra[9]. Agora pergunto: Quererá mesmo Israel a paz?

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Palestina e os refugiados

1948 Coluna de refugiados palestinianos
Uma das questões centrais do problema Israelo-Árabe e de uma futura solução de paz (seja ela de um ou dois estados) é do direito de regresso dos refugiados. E embora exista uma resolução da ONU (Resolução 194 de 1948[1]) que indica claramente que o direito de regresso existe, este continua a ser um dos temas que tem bloqueado muitas das conversações de paz. O grande problema é que depois de tantas guerras, de uma limpeza étnica em larga escala (em 1948[2]) e da não integração dos descendentes de refugiados nos países de acolhimento, existem hoje, segundo as Nações Unidas, mais de 5 milhões de refugiados palestinianos[3].
Ministro israelita dos Negócios Estrangeiros,
 Moshe Sharett, assina o acordo de reparações
 entre Israel e a Alemanha (RFA) em 1952

Dada a quantidade de refugiados, existe um problema claramente financeiro, ou seja, se de um momento para outro regressassem todas estes milhões de palestinianos (ou mesmo uma fracção delas) com direito a reaverem as suas terras, casas, depósitos bancários, bens ou compensações por valor semelhante, isso arruinaria imediatamente o estado de Israel e provavelmente também o da Palestina. Ou seja, é perfeitamente impraticável que tal aconteça, não obstante ser da mais elementar justiça que isso acontecesse. Aliás, o próprio estado de Israel, enquanto auto-entitulado representante de todos os judeus do mundo presentes e passados, recebeu enormes compensações da Alemanha[4] pelos crimes cometidos por esta durante a segunda guerra mundial. Nesse sentido, Israel deveria também arcar com as consequências dos seus actos de 1948 em diante.

No entanto, muitos destes refugiados não nasceram na Palestina ou em Israel. Muitos são filhos ou mesmo netos dos refugiados de 1948 ou 1967[5]. Isto causa alguma estranheza já que em muitos outros lugares do planeta existiram migrações massivas forçadas durante os anos 40 e no entanto não temos hoje um problema grave de refugiados na Ucrânia, na Alemanha ou na Polónia (só para dar alguns exemplos). Na mesma altura, durante a criação do estado de Israel, cerca de 700 mil judeus que viviam em países árabes, desde Marrocos até ao Irão são forçados também a fugir de suas casas. Uma enorme comunidade perfeitamente integrada nas sociedades desses países desde tempos ancestrais, foram subitamente considerados personas non gratas e fugiram para Israel. Marrocos, onde viviam um quarto de milhão de judeus está hoje reduzida a uns insignificantes dois mil. O Iraque, com mais de 100 mil judeus em 1948 tem hoje virtualmente zero e os únicos países que mantêm acima de dez mil judeus é a Turquia e o Irão, mas mesmo assim muito menos do que no final da segunda guerra mundial[6].

A grande diferença entre todos estes refugiados e os refugiados palestinianos está no comportamento dos países de acolhimento. E, devemos sublinhar, países anfitriãos que partilham cultura, língua, religião e história com a esmagadora maioria de pessoas desta vaga de refugiados.

Do outro lado do Jordão, a Jordânia é hoje o mais amigável dos vizinhos quer para israelitas quer para palestinianos. No entanto, nem tudo começou bem e desde a derrota de 1967, na guerra dos 6 dias, os refugiados palestinianos foram mantidos também como cidadãos de segunda. Acabou com o terrível "Setembro Negro"[7], uma guerra civil entre palestinianos e jordanos em grande parte provocada por Yasser Arafat num dos seus inúmeros erros  (e crimes) que resultaram em milhares de vítimas mortais. Muito poderia ter sido salvo se Arafat tivesse aceitado a proposta do Rei Hussein da Jordânia para servir como seu Primeiro-Ministro em 1974[8], o que teria levado à inclusão dos palestinianos como jordanos de pleno direito nessa altura. Infelizmente tal não aconteceu e acabou por fugir com as suas tropas para uma das outras concentrações de refugiados da Palestina: o Líbano.
1982 Yasser Arafat em Beirute

A norte, um Líbano que era supostamente o estado cristão maronita do Médio Oriente, via a sua frágil maioria política a desvanecer-se rapidamente para maior taxa de natalidade dos sunitas, shiitas e druzes[9][10]. O pecado original de, com o apoio da potência colonial gaulesa, terem criado um país com demasiado território e onde a os cristãos detinham mais poder político mas uma maioria demográfica muito ligeira. Desta forma, os palestinianos foram mal vistos e mantidos em guetos sem acesso aos serviços do estado (como educação ou justiça) e, durante décadas, sem terem sequer o direito de transformar as suas barracas em casas. Foram proibidas a utilização de variados materias de construção e o exército libanês mantinha este população de centenas de milhares permanentemente policiada[11][12]. Não é de estranhar que 1975 o país entrasse em guerra, precisamente entre cristãos e palestinianos (teve várias outras fases onde as várias facções regionais foram intervindo, como os sunitas, shiitas, israelitas, sírios e iranianos, para além dos Estados Unidos da América, Itália e França). Até hoje, os palestinianos nascidos no Líbano continuam a não ter passaporte libanês nem têm qualquer representação política[13].


2014 Palestinianos do campo de refugiados de Yarmouk,
perto de Damasco na Síria. (Imagem da UNRWA,
agência responsável pelos refugiados palestinianos)
Na Síria a situação era semelhante, embora os palestinianos nunca tenham conseguido criar a situação de "estado dentro de um estado", como aconteceu na Jordânia e Líbano. Hoje, muitos palestinianos nascidos na Síria estão novamente em fuga devido à selvagem guerra civil de destrói o país a cada dia que passa.
1948 Campo de Refugiados palestinianos em Gaza

Para sudoeste, numa pequena faixa de território denominada Gaza e praticamente desconhecida do mundo, viviam apenas 80 mil habitantes[14]. Em 1948 chegaram até quase 300 mil habitantes[15]. Com as vagas seguintes de refugiados e o seu crescimento demográfico natural, passa de uma pequena cidade agrícola e piscatória para um dos lugares mais populosos à face da terra. Nas tréguas que se seguiram à guerra da independência de Israel, este território ficou nas mãos do Egipto[16], mas este nunca abriu o território ao Sinai nem permitiu que fossem considerados egípcios. Para todos os efeitos, tal como os restantes vizinhos árabes, o Egipto não queria o preço de absorver a população e queria manter o estatuto de refugiado vivo assim como um problema político grave para Israel. Com a paz conseguida em 1978/1979[17] entre Menachem Begin e Anwar Sadat (respectivamente líderes de Israel e Egipto), a faixa de Gaza e a Cisjordânia deveriam ter recebido a sua autonomia[18] num período de 5 anos, mas Israel nunca permitiu que essa parte do acordo fosse honrada. Como tal Gaza, ficou progressivamente mais isolada, e cada vez mais ocupada por colonos israelitas. Mais recentemente, com a decisão de Ariel Sharon de retirar todos os colonos israelitas de Gaza em 2005[19], o pequeno território de um milhão e oitocentas mil pessoas deixa de ser um sítio isolado para o que teremos de chamar de prisão a céu aberto, com todas as suas fronteiras terrestres, marítimas e aéreas controladas por Israel, com excepção da fronteira do Sinai, em Rafat. Entre Israel e Egipto, o povo de Gaza está hoje fechado num cerco absoluto.

Ou seja, cinco milhões e meio de palestinianos espalhados pelo mundo, tratados como cidadãos de segunda em todo o lado. Muitos conseguiram ser refugiados mais do que uma vez na vida. Histórias que ouço regularmente quando encontro palestinianos que cresceram nos campos de refugiados da Jordânia ou do Líbano, depois conseguiram ir trabalhar para o Kuweit para, depois da Tempestade do Deserto[20] serem expulsos novamente. Uma história que prometo contar com mais detalhe um destes dias. Mais um tiro no pé de Yasser Arafat, depois de apoiar Saddam Hussein na sua invasão do Kuweit[21].

Que fazer? Sinceramente eu só vejo uma solução. Num acordo de paz total entre Israel, Palestina e a Liga Árabe, (1) os refugiados devem ter direito a compensações mas não ao direito de regresso. O mesmo em relação aos refugiados judeus dos países árabes; (2) todos os palestinianos nascidos nos restantes países árabes devem ganhar cidadania automática (percebo que os negociadores da Autoridade Palestiniana não queiram admitir isto porque dependem também das ofertas monetárias de antigos refugiados e muitos países árabes apoiam a causa mas querem livrar-se dos palestinianos, mas não vejo outra forma). Os Estados Unidos da América e a União Europeia, se quiserem ajudar, podem contribuir muito quer na parte diplomática quer financeira. No final, quer Israel quer Palestina, têm que ter as suas fronteiras seguras, viver em liberdade e ter acesso aberto ao mundo. A Palestina independente poderá depois permitir ou promover o regresso dos antigos refugiados à nova Palestina.

A questão dos refugiados não é a única em aberto, mas é uma das mais complexas e provavelmente uma que não tem soluções ideais. Outros assuntos, como o estatuto de Jerusalém e os colonatos na Cisjordânia terão também que ser decididos, e certamente teremos também tempo para falar sobre esse assunto em breve.



quinta-feira, 31 de julho de 2014

Israel vs Mundo

Quem utiliza bombardeamentos massivos em cima de um território fechado onde a população não tem por onde fugir não pode esperar outra coisa senão a morte de civis. Muitos civis. Desta vez Israel acertou numa escola das Nações Unidas, no campo de refugiados de Jabaliya na faixa de Gaza. Provavelmente não terá sido de propósito (ao contrário do ataque à escola da ONU em Gaza em 2009 com fósforo branco), mas deixou 15 mortos e 200 feridos, subindo os totais para 1360 mortos e 7000 feridos.

Para quê? Que espera a liderança israelita desta guerra? Capitulação? E se o Hamas se rendesse, será Israel daria plenos direitos aos não-judeus? Poderiam os parlamentares israelitas árabes voltar a falar livremente no parlamento? Porderiam integrar o exército israelita? Os milhões de refugiados e descendentes de refugiados palestinianos de todas estas guerras poderiam regressar às suas terras? Tornariam o país plenamente democrático e binacional? Permitiriam uma solução de dois estados? Retirariam o meio milhão de colonos judeus que colocaram na Cisjordânia?

A resposta é sempre não. Israel não quer ser um país democrático e inclusivo. Não quer que exista um país chamado Palestina. Para uma parte considerável dos judeus israelitas, os palestinianos deviam simplesmente deixar de existir. Desaparecer do mapa e ir para longe. Muito longe. E deixarem essas terras todas de Eretz Israel para o povo que Deus escolheu. O objectivo, para estes, é apenas de tornar a vida tão difícil que acabem por se ir todos embora para o Egipto, Jordânia, Síria ou Líbano. 

O problema é que estes países também não os querem. E os palestinianos vêm-se na mesma situação os judeus dos anos 30 e 40. É pena que para a direita ortodoxa israelita a frase "Holocausto nunca mais" se tenha acabado por transformar em "Holocausto - para nós - nunca mais".

PS: Uma palavra especial para os muitos judeus em Israel e nos Estados Unidos que continuam a exigir paz e o fazem abertamente sabendo as repercursões sociais, académicas e profissionais de tal opção.

PS2: Sobre o Hamas: É uma organização política e religiosa cuja liderança e rumo é idiota e primitiva e causadora de inúmeras infelicidades para os povos palestiniano e israelita. O seu sucesso político é resultado directo da incapacidade da Fatah em conseguir concessões de Israel e da sua profunda corrupção. São de culpados de muita coisa, mas não desta guerra.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Mais uma derrota para Israel...

Gaza 2014 - Imagem BBC
A cada dia que passa, o mundo mostra-se mais chocado com as imagens de de crianças mortas pelos ataques israelitas. A cada dia mais inocentes pagam por crimes que não cometeram. A maior prisão do mundo, o território de Gaza, com milhões de árabes fechados por todos os lados e sem qualquer hipótese de uma vida digna ou de um futuro para os seus filhos são bombardeados sem cerimónia por um dos mais avançados exércitos do mundo e, de longe, o mais poderoso do Médio Oriente. 

No final, centenas ou milhares de civis estarão mortos, umas dezenas de jovens militares israelitas também. Mais uma geração de palestinianos crescerá imersa no ódio a Israel e disposta a ouvir quem quer que lhe mostre alguma compreensão e apoio, sejam eles nacionalistas, comunistas, nazis ou fundamentalistas. Mais uma geração de israelitas terá lutado numa guerra que é apenas mais um capítulo da militarização total e absoluta do seu país, onde praticamente todas as grandes figuras políticas são antigos generais, heróis de guerra e líderes terroristas judaicos.
Exército Israelita - Invasão de Gaza 2014

Mais uns milhões de pessoas pelo mundo fora compreenderão quem são os agressores e quem são as vítimas. E a balança política que começou a virar desde a primeira intifiada continuará a pender cada vez mais para o lado dos palestinianos até que o mundo se decida a tratar Israel por aquilo que realmente é: um Apartheid!

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Gaza, novamente

Qual é a desculpa desta vez mesmo? Se a cada 4 ou 5 anos se criarem as condições para produzir mais uma geração de jovens carregados de ódio, quanto tempo demorará até termos paz? A matemática dir-nos-ia... infinito.


Gaza 2014... mas poderia ser qualquer outra data, passada ou futura.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Matando Hamid - A história por detrás do ataque a Gaza

Em novembro, um incidente precedeu o ataque de Israel e que levou a uma escalada de violência como não víamos desde a Operação Cast Lead em 2008: a morte de um adolescente de 13 anos, Hamid Abu Dagga (Ahmed abu Daqqa)  cujo único crime foi estar a jogar futebol com os amigos em frente a casa com a sua camisola do Real Madrid[1]. Um tiro no estômago de um sniper, um pedaço de schrapnel, não interessa realmente. Era só um miúdo que sonhava ser uma superestrela de futebol. Ser como o Cristiano Ronaldo. Morreu tentando cumprir o seu sonho.


Hamid Abu Dagga


Contém imagens violentas. Mas histórias violentas não devem ser contadas de outra forma. Um documentário do activista Harry Fear[2] que dedicou uma curta metragem a Hamid. Desde a morte de Hamid, 61 outras crianças foram mortas em Gaza por violência das forças armadas israelitas.






sábado, 25 de maio de 2013

Desafiando preconceitos

Por vezes existem notícias que colocam em causa tudo aquilo que sabíamos sobre um povo. Esta notícia do The National[1] da semana passada contém tantas agressões às ideias preconcebidas sobre os palestinanos de Gaza que não resisti a colocá-la aqui na totalidade. Em resumo: todos sabemos que em Gaza toda a gente é fundamentalista e detesta americanos e tudo o que seja americano, certo? E que qualquer investimento americano seria atacado diariamente, certo? E que as ideias de empreendedorismo e capitalismo não têm lugar num território cujo único objectivo é preparar crianças para serem bombistas suicídas, certo? Que os túneis entre Gaza e o Egipto existem única e exclusivamente para trazer bombas e armas para atacar israelitas, certo?

Bem... Khalil Efrangi de 31 anos, empreendedor e dono da pequena empresa
Entrega de refeições do KFC através dos túneis
que atravessam a fronteira Gaza/Egipto
de entregas Yamama faz agora entregas de KFC (Kentucky Fried Chickens) a partir do KFC mais próximo, em El Arish no Egipt e a 65 Km de distância. A entrega é feita através de um complexo esquema de motas e túneis e envolve tanta gente que demora 4 horas e o preço final é de cerca de 3 vezes o preço original. A ideia, que tinha começado muito recentemente já chegava a 80 refeições num dia e o empreendedor temia que o Hamas, que controla os túneis lhe começe a cobrar alguma taxa especial. Aqui fica a história completa.




KFC: cooked a secret way, delivered a secret way

RAMALLAH // Those in Gaza craving fried chicken, coleslaw and chips have had their dreams answered.

There is no KFC franchise in Gaza and its 1.7 million people live under an Israeli blockade that restricts the movement of goods and people in and out of the territory.KFC now delivers … well, sort of.
But a Gaza delivery company, Yamama, has made it possible to order Col Sanders' signature dishes by smuggling them in from Egypt through a network of tunnels.

"People can't move easily from Gaza to Egypt and the rest of the region, so when you bring Kentucky to Gaza like we have, you've satisfied demand and made people feel happy and normal at the same time," says Yamama's enterprising founder Khalil Efrangi, 31.

Mr Efrangi says Yamama has more than 500 customers, all paying prices that would be considered extortionate anywhere else.
A 12-piece chicken bucket costs about US$27 (Dh98) - nearly three times higher than the price in Egypt.

Yamama takes orders from Gazans and phones the nearest KFC franchise in the Egypt - in the city of El Arish 65 kilometres away - from where motorcycle riders rush the deliveries to the border.

After being carried through the tunnels by smugglers, motorcyclists waiting at the other end complete the deliveries.

Taking up to four hours, the delivery process can leave buckets of chicken cold and chips soggy, but Mr Efrangi says this has not dampened appetites in Gaza.

Because Egypt restricts commercial traffic into Gaza, the meals join the illicit flow of consumer goods, building materials and rocket parts that passes through the tunnels.

The underground network keeps the territory's economy afloat and its Hamas rulers armed in its fight against Israel.

Demand for Yamama's KFC-trafficking services has risen rapidly since Mr Efrangi conceived the idea three weeks ago.

"We get orders from all over Gaza," he says. Yamama expected to bring 80 meals into Gaza yesterday. The extra delivery cost covers Yamama's fleet of 35 delivery men on both sides of the border, as well as fees paid to the tunnel operators.

Now, Mr Efrangi's biggest concern is Hamas, which administers Gaza and licenses and taxes its tunnels.

"They might impose special taxes on us - at least, that's what we think," he says.

With a promotional Facebook page earning more than 3,300 "likes", Yamama undoubtedly has raised eyebrows - and appetites - inside Hamas.

Some members have become customers, says Mr Efrangi, who sees Yamama's services as more than just a business.

"Palestinians in Gaza deserve access to these brands and companies, just like anyone else in the world," he says. "We bring that access to them."

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

World Press Photo 2012

Fotografia de Paul Hansen[1] tirada durante os bombardeamentos de Gaza de 20 de Novembro de 2012, que ganhou o World Press Photo deste ano. Funeral dos gémeos de 2 anos Suhaib Hijazi e Muhammad Hijazi que morreram junto com os seus pais em sua casa durante o sexto dia de bombardeamentos[2].