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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Let's be honest about Israel's Nukes

Um artigo muito interessante sobre a questão das armas nucleares em Israel. O habitual elefante na sala que ninguém quer ver. E os grandes diplomatas ocidentais pretendem ignorar o facto de que o motivo porque toda a gente na reunião sente necessidade de armas nucleares, químicas ou biológicos é em grande parte o terror que têm pelo facto de Israel ter 200 (?) ogivas nucleares.

Artigo do New York Times escrito por Victor Gilinsky e Henry Sokolski a 18 de Setembro.

O Cartoon é retirado de um outro site, e que me pareceu apropriado...




Let's be honest about Israel's Nukes


THE recent agreement between the United States and Russia on Syria’s chemical weapons made clear what should have been obvious long ago: President Obama’s effort to uphold international norms against weapons of mass destruction in the Middle East will entangle the United States in a diplomatic and strategic maze that is about much more than Syria’s chemical arsenal.
President Bashar al-Assad of Syria insists that the purpose of his chemical arsenal was always to deter Israel’s nuclear weapons. If Syria actually disarms, what about Egypt and Israel? Egypt (about whose chemical weapons the United States has been strangely silent) points to Israel. And Israel of course has its own chemical weapons to deter Syria’s and Egypt’s, and it is not about to give them up. A headline in the Israeli daily Haaretz a few days ago stated: “Israel adamant it won’t ratify chemical arms treaty before hostile neighbors.”
These three countries have not adhered to the Biological Weapons Convention either. And Israel is not a member of the Nuclear Nonproliferation Treaty, despite having developed a formidable nuclear arsenal of its own, which will soon become the central fact in this drama, whether the United States likes it or not.
An obstacle of America’s own making has long prevented comprehensive negotiations over weapons of mass destruction in the Middle East. While the world endlessly discusses Iran’s nuclear capabilities and the likelihood that it will succeed in developing an atomic arsenal, hardly anyone in the United States ever mentions Israel’s nuclear weapons.
Mr. Obama, like his predecessors, pretends that he doesn’t know anything about them. This taboo impedes discussions within Washington and internationally. It has kept America from pressing Egypt and Syria to ratify the chemical and biological weapons conventions. Doing so would have brought immediate objections about American acceptance of Israel’s nuclear weapons.
What sustains this pretense is the myth that America is locked into covering up Israeli nuclear bombs because of a 1969 agreement between President Richard M. Nixon and Israel’s prime minister, Golda Meir. For Mr. Nixon, it was mainly about gaining Israeli support in the cold war. He and Mrs. Meir understood the need to discourage the Soviets from providing their Arab allies with nuclear weapons. A declared Israeli nuclear arsenal would have led to pressure for Moscow to do so. But such cold war reasons for America to stay mum evaporated decades ago. Everyone knows the Israelis have nuclear bombs. Today, the main effect of the ambiguity is to prevent serious regional arms-control negotiations.
All other countries in the region are members of the nonproliferation treaty, but there are still unresolved issues. Syria was caught building an illicit nuclear reactor in 2007, which Israel swiftly bombed. Mr. Assad still has not allowed international inspectors to fully investigate that obliterated reactor site. And Syria’s ally Iran is suspected of trying to assemble its own weapons program to challenge Israel’s nuclear monopoly. Indeed, many analysts believed that Mr. Obama’s decision to issue a “red line” barring the use of chemical weapons in Syria was in fact driven by the perceived need to demonstrate that he was prepared to use force against Iran if it moved further toward nuclear weapons.
This witches’ brew was supposed to become the subject of an international conference, mandated in 2010 by the unanimous vote of the members of the nonproliferation treaty, including the United States. But that conference hasn’t happened, in part because of White House ambivalence about how it might affect Israel.
In April, the American assistant secretary of state for international security and nonproliferation, Thomas M. Countryman, expressed hope that the conference would be held by this fall. And earlier this month, Russia’s foreign minister, Sergey V. Lavrov, urged all parties to set a conference date “as quickly as possible.” He also argued that it should include Israel and Iran. Russia attempted to include the conference in last week’s agreement, but Secretary of State John Kerry resisted. It is not going to go away.
If Washington wants negotiations over weapons of mass destruction in the Middle East to work — or even just to avoid making America appear ridiculous — Mr. Obama should begin by being candid. He cannot expect the countries participating in a conference to take America seriously if the White House continues to pretend that we don’t know whether Israel has nuclear weapons, or for that matter whether Egypt and Israel have chemical or biological ones.
And if Israel’s policy on the subject is so frozen that it is unable to come clean, Mr. Obama must let the United States government be honest about Israel’s arsenal and act on those facts, for both America’s good and Israel’s.

Victor Gilinsky, a former member of the Nuclear Regulatory Commission, is an energy consultant. Henry D. Sokolski, a former deputy for nonproliferation policy in the defense department, is executive director of the Nonproliferation Policy Education Center.



sábado, 2 de junho de 2012

Hans Blix, Irão e Coreia do Norte

Hans Blix e Mohamed ElBaradei
Numa entrevista à cadeia de televisão russa Russia Today, que emite em inglês, Hans Blix, antigo director da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) comenta em dezembro de 2011 uma série de assuntos actuais relativos à proliferação nuclear, com particular destaque para o Irão e Coreia do Norte.

Já aqui escrevi anteriormente sobre o relatório da AIEA de 18 de Novembro de 2011 [1] que é bastante crítico do Irão e que foi utilizado por muitos como prova cabal de que o Irão está a produzir uma bomba nuclear. Falei de um deles, Itamar Rabinovich, em fevereiro, depois de este antigo embaixador de Israel nos Estados Unidos ter publicado um artigo no jornal "O Público" com o título "A globalização da ameaça nuclear iraniana" onde defendia que a finalização de uma bomba nuclear iraniana estaria iminente [2]. Muitos outros, quer em Israel (nomeadamente ligados ao partido Likud de Benjamin Netanyahu) quer nos Estados Unidos seguiram a mesma linha de raciocínio.

Não foi a leitura que fiz do relatório de 19 de Novembro, e pelos vistos não sou o único. Hans Blix, um diplomata sueco que dedicou grande parte das últimas décadas aos problemas nucleares do mundo é referenciado regularmente nas páginas deste blog. Entre outras missões, acompanha Mohamed ElBaradei nas missões da ONU para procurar armas de destruição massiva no Iraque em 2003 e ajudou a União Soviética no evento do desastre nuclear de Chernobyl em 1986.

Sobre este relatório, Blix afirma que continuam a não existir provas, e que as constantes ameaças feitas por Israel e Estados Unidos só conseguem piorar a situação e reafirma a necessidade de acalmar os animos em ambos os lados. Avisa ainda que o aumento contínuo da capacidade de enriquecimento de urânio por parte dos iranianos está a colocar uma pressão tremenda na diplomacia internacional e que estes deveriam ter em conta esses efeitos na normalização das relações diplomáticas entre o Irão e o mundo ocidental.

Em relação a Newt Gingrich relembra as palavras deste ex-candidato às primárias do Partido Republicano, onde ele ameaça com uma mudança de regime no Irão. Blix pergunta ironicamente, se Gingrich pretende uma mudança usando o modelo iraquiano ou o modelo afegão. Este ex-candidato já tinha mostrado anteriormente os seus vastos conhecimentos sobre o médio oriente e a sua posição sobre este quando conseguiu no espaço de semanas referir-se aos palestinianos como "um povo inventado" e depois reduzindo-os a "essa gente [os palestinianos] são terroristas"

A parte mais relevante da entrevista, na minha opinião, refere-se à necessidade de criar um "Nuclear Weapons Free Middle East", i.e. nenhum país do médio oriente ter armas nucleares. Uma solução deste tipo pode tocar um pouco nos possíveis objectivos do Irão, mas é acima de tudo uma lembrança a Israel de que ninguém se esqueceu das ogivas nucleares na sua posse. Não podem exigir aos outros que não as tenham enquanto as guardam para qualquer eventualidade. As armas nucleares israelitas são precisamente o motivo porque o Irão poderia querer ter uma(s). Para procurar um equilíbrio do estilo MAD (Mutual Assured Destruction) semelhante ao que os Estados Unidos e a União Soviética tiveram durante quase meio século. Por outro lado, se o Irão conseguisse efectivamente construir uma, todos os estados árabes do golfo iriam procurar obtê-las também, para se poderem defender de uma possível ameaça do outro lado do golfo. Esta corrida ao armamento é incrivelmente perigosa, em especial quando esta região está numa instabilidade acrescida devido à Primavera Árabe.

Blix analisa também a mudança de liderança na Coreia do Norte e realça a importância de não provocar este país num momento em que o regime se encontra particularmente agitado. 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Era da Mentira

Book Review

Eleito livro internacional do ano, o prémio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei leva-nos ao interior das intrigas internacionais no mundo da proliferação nuclear. Revela um conjunto de histórias interessantes e alguns momentos muito pessoais ligados à história recente e que ainda estão bem vivos na memória de todos. Como director da Agência Internacional de Energia Atómica das Nações Unidas (AEIA), esteve directamente ligado aos esforços para controlar a proliferação nuclear militar, assim como na ajuda aos estados membros na construção de capacidade nuclear civil.

Aborda muitos temas quentes, tais como o programa nuclear iraniano, o véu de mentiras que cobriu a invasão do Iraque em 2003, a capacidade nuclear israelita, o programa clandestino da Coreia do Norte e o bazar nuclear de A. Q. Khan. Em todos eles, apercebemos-nos de como a reação da comunidade internacional se revela completamente diferente dependendo não das acções, crimes ou atropelos aos tratados, mas sim pelo nível da relação das principais potências do mundo (em particular os EUA e o Reino Unido) em relação aos prevaricadores.

Não resisti a copiar quatro parágrafos que considerei particularmente esclarecedores. Acredito não estar a infringir os direitos de autor e possivelmente até a contribuir para suscitar interesse neste livro cuja compra recomendo vivamente:

O problema mais elementar do regime de não-proliferação nuclear é, em si mesmo, um exemplo de duplo critério: a assimetria inerente, ou desigualdade, entre os que têm nuclear e os que não têm, exacerbada pela contínua dependência dos Estados que têm armas nucleares em relação a estas e a sua falta de progresso no desarmamento nuclear. Mais grave, em vez de agirem no sentido de cumprirem o seu compromisso de desarmamento, a maior parte deles modernizou o seu arsenal e continuou a desenvolver novos tipos de armas. Para países que não têm tais armas, e que não estão abrigo de acordos de protecção nuclear, como a NATO, isto reforça a percepção de a aquisição de armas nucleares é um caminho seguro para o poder e o prestígio, uma apólica de seguro contra ataques.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas também é parte do problema, em parte devido ao poder de veto dos P5, os cinco estados com armas nucleares. O dever do Conselho de Segurança é manter a paz e a segurança internacionais e responder a ameaças contra elas. Certamente nem todas as violações de um acordo de salvaguardas da AIEA são graves o suficiente para chegarem ao Conselho de Segurança. No entanto, nessas raras ocasiões, quando tais violações são encaminhadas, o Conselho deve responder apropriadamente: deve ser ágil, resoluto, enérgico quando é necessário e, acima de tudo, consistente nas suas acções.

De acordo com estes critérios, o registo das actuações do Conselho de Segurança em resposta a ameaças nucleares tem sido insondável. Em 1981, depois de Israel ter destruído o reactor iraquiano de Osirak, o Conselho de Segurança condenou o bombardeamento e também instou Israel a colocar as suas instalações nucleares ao abrigo das salvaguardas da AIEA. Israel ignorou a resolução e o Conselho de Seguranças não fez mais nada em relação ao assunto. Em 1998, depois dos testes nucleares da Índia e do Paquistão, o Conselho de Segurança condenou os testes e pediu a ambos os países que parassem o desenvolvimento de armas nucleares e de sistemas de distribuição. Quando essas resoluções foram ignoradas o Conselho voltou a recuar. No caso da Coreia do Norte, quando a Agência referiu o seu não cumprimento, em 1993, e em 2003, quando o país saiu do TNP, o Conselho não tomou nenhuma acção significativa; em vez disso, deixou que os Estados Unidos tomassem a dianteira através do Quadro Acordado, no anos 90 e, mais tarde, deixou a China liderar as Conversações a Seis.

Por outro lado, em 1990, o Conselho de Segurança impôs sanções ao Iraque que levaram a escandalosas violações dos direitos humanos de milhões de civis iraquianos e que culminaram com a guerra de 2003 sem o consentimento do Conselho. Para agravar ainda mais a situação, o Conselho de Segurança continuou a manter certas sanções contra o Iraque, anos depois da invasão de 2003, quando era claro para todos que o Iraque não tinha qualquer programa de armas nucleares. O Conselho foi incapaz de concordar em como acabar com os mandatos da UNMOVIC e da AIEA no Iraque e fechar o ficheiro das armas de destruição massiva. E, sobrecarregados pela devastação de uma guerra que nunca deveria ter ocorrido, os iraquianos foram obrigados a financiar a UNMOVIC por mais quatro anos, enquanto esta estava parada, em Nova Iorque.


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Crianças de Chernobyl

Uma reportagem da SIC/Expresso de 2006, gentilmente aconselhada por um dos nossos leitores, depois de aqui ter colocado um outro documentário sobre o acidente de há mais de duas décadas (pode ser visto aqui). Este documentário de Daniel Cruzeiro, Renato Freitas e Gonçalo Freitas acompanha a tragédia da cidade abandonada de Prypiat na Ucrânia, que tinha mais de 50.000 pessoas, de Chernobyl que teria até 350.000 habitantes, e acima de tudo das crianças que ainda hoje sofrem com os resultados e que dependem da ajuda do governo cubano.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Chernobyl - O outro 25 de Abril

Chernobyl, 26 de Abril de 1986
Na noite de 25 para 26 de Abril de 1986 uma sucessão de eventos levou ao maior desastre nuclear não militar da história. São muitos os documentários sobre o evento e o que o provocou e suas implicações humanas, ecológicas e políticas.

Com o fim da União Soviética, muitos dos seus segredos foram revelados e novos dados conseguiram revelar um pouco mais do trabalho dos heróis que nos dias, meses e anos que se seguiram evitaram que os danos tivessem sido incomparavelmente maiores. Ainda é muita a informação que não foi desclassificada pelos governos ucraniano e russo, pelo que este assunto ainda nos fará gastar muita tinta. Talvez daqui a umas décadas tudo seja mais claro...

Tanto quanto sei, nenhum documentário será melhor do que este que vos apresento aqui: "A Batalha de Chernobyl" de 2006 realizado por Thomas Johnson.








quarta-feira, 4 de abril de 2012

Gunther Grass - O que tem que ser dito

Aqui fica o poema de Gunther Grass publicado recentemente e que já foi recebido com a habitual crítica de "anti-semitismo". Naturalmente, como falou daquele elefante na sala que todos fingem ignorar (as bombas nucleares de Israel), o veredicto dos media não poderia ser outro. Como a isso se associa ainda a hipocrisia dos media ocidentais e o complexo de culpa alemão, a situação só poderia mesmo piorar...

O que há a dizer
(tradução "Jornal de Negócios")

Porque guardo silêncio, há demasiado tempo,
sobre o que é manifesto
e se utilizava em jogos de guerra
em que no fim, nós sobreviventes,
acabamos como meras notas de rodapé.

É o suposto direito a um ataque preventivo,
que poderá exterminar o povo iraniano,
conduzido ao júbilo
e organizado por um fanfarrão,
porque na sua jurisdição se suspeita
do fabrico de uma bomba atómica.

Mas por que me proibiram de falar
sobre esse outro país [Israel] onde há anos
- ainda que mantido em segredo –
se dispõe de um crescente potencial nuclear,
que não está sujeito a qualquer controlo,
já que é inacessível a qualquer inspecção?

O silêncio geral sobre esse facto,
a que se sujeitou o meu próprio silêncio,
sinto-o como uma gravosa mentira
e coacção que ameaça castigar
quando não é respeitada:
“anti-semitismo” se chama a condenação.

Agora, contudo, porque o meu país,
acusado uma e outra vez, rotineiramente,
de crimes muito próprios,
sem quaisquer precedentes,
vai entregar a Israel outro submarino
cuja especialidade é dirigir ogivas aniquiladoras
para onde não ficou provada
a existência de uma única bomba,
se bem que se queira instituir o medo como prova… digo o que há a dizer.

Por que me calei até agora?
Porque acreditava que a minha origem,
marcada por um estigma inapagável,
me impedia de atribuir esse facto, como evidente,
ao país de Israel, ao qual estou unido
e quero continuar a estar.

Por que motivo só agora digo,
já velho e com a minha última tinta,
que Israel, potência nuclear, coloca em perigo
uma paz mundial já de si frágil?
Porque há que dizer
o que amanhã poderá ser demasiado tarde,
e porque – já suficientemente incriminados como alemães –
poderíamos ser cúmplices de um crime
que é previsível,
pelo que a nossa quota-parte de culpa
não poderia extinguir-se
com nenhuma das desculpas habituais.

Admito-o: não vou continuar a calar-me
porque estou farto
da hipocrisia do Ocidente;
é de esperar, além disso,
que muitos se libertem do silêncio,
exijam ao causante desse perigo visível
que renuncie ao uso da força
e insistam também para que os governos
de ambos os países permitam
o controlo permanente e sem entraves,
por parte de uma instância internacional,
do potencial nuclear israelita
e das instalações nucleares iranianas.

Só assim poderemos ajudar todos,
israelitas e palestinianos,
mas também todos os seres humanos
que nessa região ocupada pela demência
vivem em conflito lado a lado,
odiando-se mutuamente,
e decididamente ajudar-nos também.




What must be said
(tradução "themovingsilent")

Why I am silent, silent for too much time,
how much is clear and we made it
in war games, where, as survivors,
we are just the footnotes

That is the claimed right to the formal preventive aggression
which could erase the Iranian people
dominated by a bouncer and moved to an organized jubilation,
because in the area of his competence there is
the construction of the atomic bomb

And then why do I avoid myself
to call the other country with its name,
where since years – even if secretly covered -
there is an increasing nuclear power,
without control, because unreachable
by every inspection?

I feel the everybody silence on this state of affairs,
which my silence is slave to,
as an oppressive lie and an inhibition that presents punishment
we don’t pay attention to;
the verdict “anti-Semitism” is common

Now, since my country,
from time to time touched by unique and exclusive crimes,
obliged to justify itself,
again for pure business aims – even if
with fast tongue we call it “reparation” -
should deliver another submarine to Israel,
with the specialty of addressing
annihilating warheads where the
existence of one atomic bomb is not proved
but it wants evidence as a scarecrow,
I say what must be said

Why did I stay silent until now?
Because the thought about my origin,
burdened by an unclearing stain,
had avoiding to wait this fact
like a truth declared by the State of Israel
that I want to be connected to

Why did I say it only now,
old and with the last ink:
the nuclear power of Israel
threat the world peace?
Because it must be said
what tomorrow will be too late;
Because – as Germans and with
enough faults on the back -
we might also become deliverers of a predictable
crime, and no excuse would erase our complicity

And I admit: I won’t be silent
because I had enough of the Western hypocrisy;
Because I wish that many will want
to get rid of the silence,
exhorting the cause of a recognizable
risk to the abdication, asking that a free and permanent control
of the Israel atomic power
and the Iran nuclear bases
will be made by both the governments
with an international supervision

Only in this way, Israelis, Palestinians, and everybody,
all people living hostile face to face in that
country occupied by the craziness,
will have a way out,
so us too

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Propaganda pela Guerra

Um artigo do Público de 16.02.2012 de Itamar Rabinovich, presenteia-nos com a habitual teoria de atacar o Irão antes que eles mandem uma bomba nuclear em cima de todos nós.

Chamo a atenção para alguns pormenores:

"Isto foi instigado em parte pela descoberta da Agência Internacional de Energia Atómica, em Novembro de 2011, de que o Irão está de facto a desenvolver uma arma nuclear, e que está a ficar perigosamente perto de atravessar a “linha vermelha”"

Este professor universitário de Tel Aviv e Nova York e antigo embaixador de Israel nos EUA sabe tão bem como eu que o único documento que foi utilizado pela agência era anónimo, sem data, com erros de Farsi e - segundo os próprios - obtidos a partir de... Israel!

Escrevi sobre esse assunto no mês passado: http://oreivaivestido.blogspot.com/2012/01/e-agora-e-o-irao.html

Outro parágrafo terrivelmente interessante diz o seguinte:

"O actual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tem estado menos preocupado que Sharon sobre o papel apercebido de Israel. Está muito ocupado a empenhar-se directamente na tentativa de eliminar a ameaça mortífera que um Irão com armas nucleares colocaria ao estado judeu"

Gosto sempre quando falam da "ameaça mortífera". Um único estado no médio oriente tem armas nucleares, que é Israel. Esse mesmo estado já invadiu em dezenas de ocasiões o Líbano, Palestina, Síria, Egipto e Jordânia. Para além disso, o senhor Itamar sabe sem margem para dúvida que uma bomba nuclear atirada em cima de Israel causaria tantas vítimas árabes muçulmanas como judias. Mais de um milhão de pessoas no território de Israel são árabes muçulmanos (embora não tenham cidadania israelita) e a distância entre Ramallah e Jerusalém é inferior ao raio de acção de uma bomba nuclear.

Eu não tenho qualquer prazer em ver mais um estado com bombas atómicas. Muito menos um estado liderado por um louco como é o caso do Irão. Mas isso não significa que dou carta branca a quem quiser mais uma guerra lunática no médio oriente causando mais umas centenas de milhares de mortos sem qualquer prova.

http://www.publico.pt/ProjectSyndicate/Itamar%20Rabinovich/a-globalizacao-da-ameaca-nuclear-iraniana-1534087