segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Bomber Boys - documentário



Um ano depois de The Battle of Britain, os irmãos McGregor regressam com um novo documentário da BBC sobre a segunda guerra mundial. Desta vez sobre o Bomber Command, a parte da Royal Air Force que durante a guerra se dedicou ao bombardeamento estratégico da Alemanha e seus aliados.

A história vê estes dois lados da RAF de forma muito diferente: Os aviadores do Fighter Command ficam como os grandes heróis da Batalha da Grã-Bretanha, os "poucos" que Churchill elevou ao estatuto de semi-deuses e de eternos símbolos do sacrifício pelo Império Britânico. O Bomber Command[1] pelo seu lado foi rapidamente esquecido e durante 70 anos não teve qualquer estátua ou símbolo de reconhecimento. As suas tripulações sofreram a maior das taxas de mortalidade de todas as forças armadas britânicas e morreram às dezenas de milhares sobre os céus da europa ocupada. O motivo deste esquecimento não é inocente. Os Lancasters ingleses causaram centenas de milhares de mortes civis, usaram armas de destruição em larga escala e devastaram cidades a um nível como nunca tinha sido visto.
Sir Arthur Harris
Air Chief Marshal do Bomber Command

O líder do Bomber Command, Sir Arthur Harris[2], defendeu até ao final da sua vida que os ataques sobre civis, com o propósito explícito de matar o máximo de civis possíveis era legítimo e desejável. Que numa "Guerra Total" não existem civis porque são estes que produzem as armas do inimigo. Desta forma todos os alvos, todas as cidades, universidades, fábricas e campos de cultivo tornam-se automaticamente alvos a abater.

A verdade é que os Bomber Boys, foram extremamente úteis durante a guerra. Trouxeram à Alemanha um nível de destruição nunca visto. Causaram enormes dificuldades na movimentação, produção de bens civis e militares. Mataram centenas de milhares de trabalhadores, civis e prisioneiros de guerra. Bloquearam a indústria, os serviços, a burocracia e a agricultura do III Reich. Mas estes aviadores foram também um embaraço depois desta. Fizeram o trabalho sujo dos seus líderes e no final descartados e atirados para o esquecimento. Mas o que fizeram, não pode ser descrito de outra forma senão como crimes de guerra.




terça-feira, 6 de agosto de 2013

The Battle of Britain - documentário



Ewan McGregor[1], conhecido actor escocês que entrou em filmes como Trainspotting[2] e Star Wars[3] apresenta-nos com o seu irmão Colin, piloto da Royal Air Force, este documentário sobre a Batalha de Inglaterra. The Battle of Britain[4], mostra-nos com bastante detalhe o ponto de vista dos pilotos britânicos sobre a espectacular batalha. Sobre esta, Churchill proclamou a famosa frase: Nunca, na história dos conflitos humanos, tantos deverão tanto a tão poucos. São estes few as estrelas deste documentário da BBC. 

Finda a Batalha de França, em 1940, com uma retumbante vitória para Hitler e um inesperado colapso da França, Bélgica, Luxemburgo e Holanda, inicia-se em Julho do mesmo ano a Batalha da Grã-Bretanha[5] (ou, como é geralmente conhecida em Portugal, a Batalha de Inglaterra). Depois da humilhante, mas extremamente bem sucedida, retirada do BEF (Força Expedicionária Britânica) de Dunquerque em França, o Reino Unido encontrava-se enfraquecido, sem uma força aérea ou um exército que pudessem contrabalançar o poderio alemão. A sua marinha, a Royal Navy, era nesta altura a mais poderosa da Europa, mas sem um controlo dos céus seria dificil controlar o canal da Mancha. E mesmo essa vantagem poderia estar em risco se a Kriegsmarine tomasse o controlo da força naval francesa, depois da capitulação gaulesa. 
A Batalha da Grã-Bretanha

Cabia portanto a uns poucos e inexperientes pilotos a última defesa da ilha, contra uma Luftwaffe altamente treinada e que já tinha desfeito em pedaços metade das forças aéreas europeias. A estes juntou-se uma brilhante organização que com os mais modernos radares, centenas de telefonistas e dezenas de milhares de observadores com binóculos conseguiram criar um conjunto de vantagens que seriam decisivos na batalha. 

Durante meses os dois lados lutaram avidamente pelos céus do sul de Inglaterra. Milhares morreram dos dois lados. Muitos mais civis perderam a vida quando Hitler e Churchill mudaram os alvos dos seus bombardeiros de alvos militares para alvos civis.
Colin e Ewan McGregor

Faço uma crítica a este documentário. A mesma que fiz a muitos outros sobre o mesmo assunto e até ao filme "Battle of Britain" de 1969 cujo artigo espero escrever em breve: a Operação Sea Lion[6], a invasão do Reino Unido por parte da Alemanha, nunca esteve tão próxima de acontecer como nos gostam de fazer crer. A Alemanha não tinha nem nunca teve um exército preparado para isso. Nunca teve um número de lanchas de desembarque significativo. Para além disso, Hitler e o alto comando Nazi consideravam que o seu espaço natural seria o leste, a abertura dos territórios entre a Alemanha e os montes Urais. 




sábado, 20 de julho de 2013

The Ethnic Cleansing of Palestine

Não admira que Illan Pape tenha sido considerado como o mais corajoso de todos os novos historiadores israelitas. O seu livro "The Ethnic Cleansing of Palestine"[1] desfaz categoricamente os mitos de que o milhão de refugiados de 1948 eram simplesmente o resultado colateral da guerra de independência. Um dos muitos males provocados naturalmente pelas guerras, como vemos hoje na Síria por exemplo. Os factos apontam para uma verdade bem mais sinistra. A vaga de refugiados de 1948 é o corolário de uma acção preparada e implementada durante muitos anos por Ben Gurian e a liderança zionista e obedece a um plano muito claro, o Plano Dalet[2].

Como parte deste plano, as aldeias e cidades do mandato da Palestina foram catalogados segundo as suas etnias, os nomes dos seus líderes locais e todos aqueles suspeitos de envolvimento nas revoltas dos anos 30 registados cuidadosamente. O plano tinha como objectivo explícito a conquista de todas estas cidades, o homicídio da sua liderança e a prisão indiscriminadas de homens em "idade militar", ou seja, entre os 10 (!!!) e os 60 anos. Incluia também a expulsão de todos os seus habitantes para fora do que os zionistas consideravam que deveria ser o seu estado e por fim a destruição metódica das aldeias até que nada sobrasse delas.

É um livro pesado, relatando cuidadosamente as violações, homicídios e destruições uma após a outra. Aldeia após aldeia. Cidade após cidade. Muitos destes massacres foram feitos ainda antes da saída dos britânicos. Em diversos casos, foram até ajudados por estes. Grande parte da limpeza étnica foi feita muito antes dos exércitos árabes declararem guerra ao novo estado de Israel, e curiosamente, o esforço de guerra foi tão pouco de parte a parte que nem sequer teve influência no calendário da limpeza étnica que continuou o seu curso sem problemas.


Explica-nos ainda porque motivo algumas cidades foram poupadas. Como as cidades santas cristãs, quando os zionistas temeram que o mundo se virasse contra ele já que muitas dessas cidades eram de maioria cristã. E como a Legiões Árabe jordana, o mais formidável dos exércitos árabes envolvidos, manteve o seu território mesmo quando o Rei Abdullah da Jordânia dividia os despojos da Palestina com a liderança zionista.

Por fim, mostra que o exército paramilitar judaico (denominado Haganah, que mais tarde se tornou no IDF) e as suas unidades de elite, a Palmach, trabalharam lado a lado com organizações terroristas judaicas, como o Stern Gang e o Irgun. Com estes, fizeram atentados bombistas, assassinaram líderes políticos e procederam ao Plano Dalet, tal como programado. Mais de 500 aldeias desapareceram do mapa. Muitos refugiados e os seus descendentes, ainda hoje esquecidos no Líbano e Jordânia sem documentos ou nacionalidade, mantém as chaves de casas há muito dinamitadas, como nos conta Robert Fisk[3].

Em discussões sobre o conflito Israelo-Palestiniano, existe sempre um momento em que um dos pró-israelitas pergunta se estamos a colocar em causa a existência do estado de Israel. A resposta é simples. Ele nunca deveria ter sido criado. Agora, até aceito que terá que existir, mas isso não altera o facto de que é um estado que está a ser montado por atropelo diário aos direitos humanos. Que praticamente todos os crimes que um estado pode cometer sobre uma população indígena estão a ser ali cometidos. E isso iniciou-se há 65 anos mais ainda não parou. Só mudou em intensidade e  estilo.