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| Anders Breivik |
Durante o julgamento de Anders Breivik (acusado dos atentados que levaram à morte de 77 pessoas) este tem defendido que não tem qualquer problema psicológico e que os seus actos devem ser vistos como políticos. Numa frase particularmente interessante ele diz que "Se eu fosse um jihadista barbudo ninguém poria em causa a minha sanidade". Breivik toca na mesma questão que já tinha referido antes: o ocidente tem dificuldade em aceitar que um dos seus seria capaz de fazer rigorosamente os mesmos crimes que acusamos os "outros" de cometer.
Os nossos crimes são racionalizados de forma a serem transformados em auto-defesa, negados ou atenuados ou - se nada mais houver a fazer - actos de loucura de indivíduos. Provamos que Saddam Hussein era um monstro porque utilizou armas de destruição massiva e torturava, mas as bombas nucleares utilizadas pelos EUA, os bombardeamentos incendiários sobre civis feitos pelos aliados na WWII, a tortura em Guntánamo e Abu Graib, são tudo actos que podem sempre ser explicados ou esquecidos.
Ninguém pergunta se Mohammed Merah (o atirador de Toulouse) tinha algum problema psicológico? Subitamente deixou de ser um françês para ser reduzido à categoria de "nascido em França" como se de um acidente se tratasse. E quanto a Breivik? Vão continuar a tentar convencê-lo de que está louco. É que um cristão branco nunca faria tal coisa. Right...
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[1] Público: Primeiro-ministro norueguês diz que Breivik "falhou"
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