Um artigo do Público de 16.02.2012 de Itamar Rabinovich, presenteia-nos com a habitual teoria de atacar o Irão antes que eles mandem uma bomba nuclear em cima de todos nós.
Chamo a atenção para alguns pormenores:
"Isto foi instigado em parte pela descoberta da Agência Internacional de Energia Atómica, em Novembro de 2011, de que o Irão está de facto a desenvolver uma arma nuclear, e que está a ficar perigosamente perto de atravessar a “linha vermelha”"
Este professor universitário de Tel Aviv e Nova York e antigo embaixador de Israel nos EUA sabe tão bem como eu que o único documento que foi utilizado pela agência era anónimo, sem data, com erros de Farsi e - segundo os próprios - obtidos a partir de... Israel!
Escrevi sobre esse assunto no mês passado: http://oreivaivestido.blogspot.com/2012/01/e-agora-e-o-irao.html
Outro parágrafo terrivelmente interessante diz o seguinte:
"O actual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tem estado menos preocupado que Sharon sobre o papel apercebido de Israel. Está muito ocupado a empenhar-se directamente na tentativa de eliminar a ameaça mortífera que um Irão com armas nucleares colocaria ao estado judeu"
Gosto sempre quando falam da "ameaça mortífera". Um único estado no médio oriente tem armas nucleares, que é Israel. Esse mesmo estado já invadiu em dezenas de ocasiões o Líbano, Palestina, Síria, Egipto e Jordânia. Para além disso, o senhor Itamar sabe sem margem para dúvida que uma bomba nuclear atirada em cima de Israel causaria tantas vítimas árabes muçulmanas como judias. Mais de um milhão de pessoas no território de Israel são árabes muçulmanos (embora não tenham cidadania israelita) e a distância entre Ramallah e Jerusalém é inferior ao raio de acção de uma bomba nuclear.
Eu não tenho qualquer prazer em ver mais um estado com bombas atómicas. Muito menos um estado liderado por um louco como é o caso do Irão. Mas isso não significa que dou carta branca a quem quiser mais uma guerra lunática no médio oriente causando mais umas centenas de milhares de mortos sem qualquer prova.
http://www.publico.pt/ProjectSyndicate/Itamar%20Rabinovich/a-globalizacao-da-ameaca-nuclear-iraniana-1534087
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Estado Judeu e Democrático
Uma das mais comuns e aceites frases relativas ao conflito Israelo-Árabe é que os árabes devem aceitar que Israel é um país democrático e judaico.Eu sei o que é uma democracia: direito de escolha dos governantes, lei acima de todos os cidadãos e igual para todos, liberdade religiosa, liberdade de opinião, etc. No entanto não sei o que seria se Portugal fosse um país democrático e cristão. Será que eu perderia a cidadania se me tornasse oficialmente ateu ou me convertesse a outra religião? Será que não teria direito a cidadania mesmo que a minha família vivesse na mesma rua há 20 gerações? Será que qualquer cristão do mundo poderia entrar em Portugal e obter cidadania imediata? Que o nosso exército era constituído por cristãos de todo o mundo como se a defesa nacional e o ataque aos nossos vizinhos fosse uma nova cruzada?
Pois é precisamente isto que se passa em Israel: Qualquer judeu de qualquer parte do mundo recebe cidadania imediata, mas uma família cristã ou muçulmana que lá tenha vivido desde tempos imemoriais não o consegue.
O serviço militar obrigatório (para homens e mulheres) coloca de lado os muçulmanos mas aceita estrangeiros desde que sejam judeus. Existem algumas excepções, como os druze (que lutaram ao lado dos sionistas durante a guerra da independência) e os beduínos do Negev (o que não lhes tem servido de muito porque estão a ser sistematicamente expulsos da suas terras). Sobre este assunto aconselho a visualização do corajoso documentário do israelita Haim Yavin.
Por estes motivos, aceito Israel como um estado democrático e espero que atinjam esse objectivo o mais cedo possível por oposição ao actual estado de Apartheid. Mas isso significa ter todo o seu povo representado no Knesset, independentemente da sua religião, etnia ou sexo, tal como previsto na sua declaração de independência. Não o aceito como estado judeu. Tal como não aceito que algum país do mundo tenha leis baseadas na discriminação religiosa e étnica.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Cultura de Vitória
Existem muitos motivos para que os Estados Unidos da América sejam hoje a grande superpotência do mundo. Passam pelo sistema político, o capital acumulado, a capacidade de criar valor, os seus recursos naturais, a cultura de imigração entre muitos outros factores.
Existe no entanto um que sempre achei decisivo que é a forma como a cultura empresarial americana lida com o falhanço.
Aqui há uns anos assisti a uma compilação de imagens famosas de tentativas de criar a primeira máquina voadora (mais pesada que o ar). Vários inventores ou os seus corajosos pilotos de testes sofriam falhanço atrás de falhanço, muitas vezes com resultados desastrosos para a sua saúde e - certamente - também para o seu ego.
À minha volta, um grupo de amigos ria-se com as tentativas estapafúrdias de voo e com o desenho cómico das máquinas.
Dei por mim a pensar se os irmãos Wright terão olhado para as mesmas imagens com o mesmo sorriso ou se eles não terão alternativamente analisado os motivos de cada resultado negativo. Se não terão pensado nos pontos interessantes e criativos que cada uma daqueles invenções e em quais eram os pontos que valeria a pena tentar melhorar.
Todos nós, que nos recusamos a correr riscos da nossa vida deveríamos baixar a cabeça em respeito a todos aqueles que tentaram criar algo novo, que lutaram por uma vida nova, que correram riscos e falharam. Eles estão muito mais próximos dos vencedores do que todos os que nunca arriscaram absolutamente nada em toda a sua vida.
Existe no entanto um que sempre achei decisivo que é a forma como a cultura empresarial americana lida com o falhanço.
Aqui há uns anos assisti a uma compilação de imagens famosas de tentativas de criar a primeira máquina voadora (mais pesada que o ar). Vários inventores ou os seus corajosos pilotos de testes sofriam falhanço atrás de falhanço, muitas vezes com resultados desastrosos para a sua saúde e - certamente - também para o seu ego.
À minha volta, um grupo de amigos ria-se com as tentativas estapafúrdias de voo e com o desenho cómico das máquinas.
Dei por mim a pensar se os irmãos Wright terão olhado para as mesmas imagens com o mesmo sorriso ou se eles não terão alternativamente analisado os motivos de cada resultado negativo. Se não terão pensado nos pontos interessantes e criativos que cada uma daqueles invenções e em quais eram os pontos que valeria a pena tentar melhorar.
Todos nós, que nos recusamos a correr riscos da nossa vida deveríamos baixar a cabeça em respeito a todos aqueles que tentaram criar algo novo, que lutaram por uma vida nova, que correram riscos e falharam. Eles estão muito mais próximos dos vencedores do que todos os que nunca arriscaram absolutamente nada em toda a sua vida.
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