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| Ehud Barak - Ministro da Defesa israelita |
Já aqui tínhamos falado anteriormente sobre essa impossibilidade lógica de Israel ser um Estado Judeu e Democrático. Se quer ser um estado judeu, então uma parte dos cidadãos terão que ter menos ou nenhuns direitos. Se quer ser um estado democrático, então todos terão que ser iguais perante a lei independentemente da religião ou etnia. Se este situação é complicada nas fronteiras aceites internacionalmente (dos cerca de oito milhões de habitantes, dois milhões são árabes), então com a inclusão dos territórios ocupados o número de árabes provavelmente excederá rapidamente o da população judaica. Isto, aos olhos dos israelitas, faz com que seja totalmente impossível imaginar uma solução de um estado binacional já que os muçulmanos e cristãos palestinianos teriam a maioria do parlamento, com a complicação acrescida dos israelitas estarem bastante mais divididos em partidos relativamente pequenos enquanto os palestinianos concentram todos os seus votos em apenas dois partidos.
Yitzahk Rabin, prémio Nobel da Paz e Primeiro Ministro de Israel até ao seu assassinato em 1995 às mãos de um extremista judeu, explicou a sua assinatura dos tratados de Oslo de uma forma semelhante. Na sua opinião, não seria possível a Israel manter a sua identidade se tivesse que governar milhões de cidadãos hostis. Ao colocar em causa o bíblico projecto de Eretz Yisrael, as forças mais conservadores do seu país moveram-se para colocar um fim à sua vida.
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| Eretz Yisrael - Grande Israel |
Já antes Ehud Barak se tinha afastado destas ideias, e numa frase resumiu de forma brilhante a situação de Israel:
"Cada tentativa de manter estas regiões [Gaza e Cisjordânia] (...) leva necessariamente a um estado não-democrático ou a um estado não-judeu. Porque se os palestinianos votarem, isto será um estado bi-nacional, e se não votarem será um apartheid."[3]
Embora compreenda o pensamento do ministro da defesa israelita (e que poderá mesmo significar uma mudança de rumo de todo o governo dada a recente inclusão do partido Kadima no governo de coligação), tenho dúvidas se o unilateralismo será a melhor solução. O Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, acabou por ser a grande vítima da retirada unilateral de Gaza que foi transformada pelo Hamas numa vitória da sua resistência armada contra Israel. Seria provavelmente do interesse de Israel que o equilíbrio de poder na Palestina desequilibrasse para o lado Abbas e uma retirada pacífica, coordenada e acordada entre os dois conseguiria isso mesmo. Para além disso, poderia ser utilizada como um primeiro passo para a retoma do processo de negociação de paz, congelado há 3 anos.
Um último dado será certamente a Primavera Árabe. A indefinição do futuro próximo dos seus vizinhos é certamente um risco para Israel. O Líbano está tão agitado como sempre, com um Hizbullah que mantém a sua força e acumula stocks de armamento. A Síria está em guerra civil e o resultado é uma interrogação. O Egipto poderá em breve estar totalmente controlado pela Irmandade Muçulmana. Apenas a Jordânia se mantém calma devido à mestria com que o seu monarca tem gerido a Primavera Árabe.
Solucionar a questão Israelo-Palestiniana não é só importante, mas também urgente. Por muita pouca esperança que os intervenientes tenham neste processo de paz, a bem de todos os habitantes da região nenhuma das partes tem o direito de desistir.

